Plenário

Sessão ordinária / Comunicações Temáticas

Na tarde desta quinta-feira (8/8), durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Porto Alegre, o período de Comunicações Temáticas abordou o tema Lei Maria da Penha na vida das mulheres. Sobre isso, manifestaram-se vereadores e vereadoras:

MACHISMO – Sofia Cavedon (PT) afirmou ser necessário encontrar mecanismos que mudem a cultura machista existente na sociedade. "O machismo não tem classe social. Temos muito a alterar. Para a vereadora, é preciso ensinar homens e mulheres a serem pais e mães. "É preciso incluir isso na formação do pai e da mãe. E isso deve ser feito em espaços públicos." A vereadora lembrou que a União Brasileira de Mulheres, em seus 25 anos, possivelmente reuniu um capital cultural importante. "São registros e memórias de momentos da história da luta das mulheres pelo Brasil. Tudo isso deve ser aproveitado para reflexão em escolas e universidade, conforme disse Sofia. (HP)

PARIDADE - Alberto Kopittke (PT) afirmou que a violência contra a mulher é possivelmente o início de todas as violências. “Essa forma de violência simboliza a incapacidade de nossa sociedade em construir relações sociais com equidade.” O vereador lamentou que, em sua opinião, o direito de participação da mulher em espaços políticos no país vem retrocedendo. "Os dados de ocupação dos parlamentos por mulheres revelam que estamos regredindo, mesmo após a legislação que garantiu cotas." Kopittke defendeu "mudanças com mais velocidade e força", de modo a que mulheres tenham acesso a todos os espaços de decisão do país, numa proporção de 50% aos homens. "Temos que instituir a paridade entre homens e mulheres." (HP)

VIOLÊNCIA -Clàudio Janta (PDT) lembrou avanços da Lei Maria da Penha, mas lamentou que 55 mulheres tenham sido assassinas por seus companheiros no Estado somente no primeiro semestre. “Não são companheiros, são ceifadores, marginais.” O vereador também lembrou a importância de homens e mulheres andarem juntos. "Hoje em dia são iguais. Homens e mulheres têm que criar e educar juntos seus filhos. Não é responsabilidade da mulher, mas do casal que resolve ter uma família." Janta igualmente defendeu o combate à violência sofrida pelas mulheres: "Não apenas a física, mas também o assédio moral e sexual nos locais de trabalho". (HP)

INTERIOR - Mônica Leal (PP) pediu a sensibilidade dos governantes em relação à necessidade de atendimento de mulheres que sofrem violência no interior do Estado. Conforme a vereadora, mesmo na Capital, com a existência de locais especiais para denúncias, existem problemas. "Mas, no Interior, a realidade é bem diferente. As mulheres não encontram condições de fazer denúncias, sequer há espaços para perícia física, exame de lesões, ou apoio psicológico." Mônica disse ser preciso pensar num futuro justo para todas as mulheres. "Nossas mulheres precisam disso, que nossos governantes sejam sensíveis a isso." (HP)

ESPECIFICIDADES - Reginaldo Pujol (DEM) destacou que, com muita frequência, tanto homens quanto mulheres se equivocam ao dizer que os direitos de ambos devem ser igualados. Conforme o parlamentar, o que é preciso é respeitar os direitos específicos de cada gênero. Pujol lembrou que, por muito tempo, em todo o mundo, prática agora mais arraigada nas culturas orientais, a presença dos homens era erroneamente mais intensa. Para o parlamentar, o que as sociedades precisam é acertar o ponto de equilíbrio de oportunidades, independentemente de gênero. Pujol também se somou à luta contra a violência à mulher. (MG)

VIOLÊNCIA II - João Derly (PCdoB) afirmou que a sociedade ainda tem que caminhar e conquistar muito mais direitos para as mulheres e não abandoná-las quando engravidam. “Homem de verdade é aquele que assume e cuida de seus filhos”, ressaltou, refletindo sobre o recente nascimento de sua filha. Derly destacou que, desde cedo, os homens devem ser ensinados a respeitar as mulheres. “É importante os jovens terem esse conhecimento e saberem o respeito que devem ter.” O vereador ainda falou sobre o preconceito e a desvalorização no mercado de trabalho que as mulheres sofrem, colocando-se à disposição para “estar lado a lado nessa luta”. (LV)

MULHERES - Fernanda Melchionna (PSOL) mencionou os dados trazidos na Tribuna Popular de hoje, que constatam que mais de dois milhões de mulheres são agredidas por ano. “Esses dados embasam a luta, mas é inegável que são assustadores”, destacou. A vereadora afirmou a importância de existirem órgãos competentes para assistir as mulheres vítimas de agressão. “É muito constrangedor para uma mulher falar que foi abusada sexualmente em uma delegacia comum, cheia de homens ao redor. E muitos policiais não estão preparados para lidar com esse tipo de situação”, afirmou. Fernanda citou o Estatuto do Nascituro como um exemplo de violação do direito das mulheres que deve ser combatido. “É preciso derrubar os retrocessos e avançar nos nossos direitos”, concluiu. (LV)

MULHERES II - Professor Garcia (PMDB) parabenizou a vereadora Jussara Cony (PCdoB) por trazer a discussão sobre as mulheres à Casa. Para o vereador, a agressão contra as mulheres são paradigmas que precisam ser quebrados. “Estatísticas afirmam que, a cada 15 segundos, uma mulher é agredida, mas acredito que seja muito mais. Há medo e receio de grande parte das mulheres vítimas de violência em denunciar.” Garcia lembrou do seu projeto aprovado na Câmara que criou o “disque denúncia de agressão à mulher” e afirmou que, muitas vezes, o inimigo mora no mesmo teto. “Mulheres, não tenham medo de denunciar”, alerta. (LV)

MULHERES III - Delegado Cleiton (PDT) saudou “as guerreiras” que compunham a mesa e as “lutadoras” que estavam na plateia. Refletindo sobre o ditado popular “palavra de homem” o vereador chegou à conclusão que se usam expressões muitas vezes sem pensar no que elas querem dizer. “Vejo isso no dia-a-dia de exercício de mandato parlamentar quando visito comunidades”, disse. Ele também parabenizou os 25 anos da Delegacia da Mulher e lamentou que as mulheres negras sofrem mais preconceito ainda pela cor de pele. “Temos que ter igualdade: negros, brancos, índios, mulheres e homens”, finalizou. (LV) 

Textos: Helio Panzenhagen (reg. prof. 7154)
           Milton Gerson (reg. prof. 6539)
           Luciano Victorino (estagiário de Jornalismo)
Edição: Claudete Barcellos (reg. prof. 6481)