- Atualizada em 10/08/2017 16:49

Comunidade pede manutenção de laboratório no Postão da Cruzeiro

  • Tribuna popular. Instituto de Integração Social discute Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul, laboratório e outros.
    Comunidade da Cruzeiro acompanhou a sessão da Câmara(Foto: Luiza Dorneles/CMPA)
  • Tribuna popular. Instituto de Integração Social discute Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul, laboratório e outros. Na foto, Flávio Feliciano dos Santos.
    Flávio dos Santos lembrou que laboratório foi reativado em 2015(Foto: Luiza Dorneles/CMPA)

Moradores da Cruzeiro do Sul e servidores do Pronto Atendimento Cruzeiros do Sul (Pacs), popularmente conhecido como Postão da Cruzeiro, participaram da sessão ordinária da Câmara Municipal de Porto Alegre, na tarde desta quinta-feira (10/8). No espaço da Tribuna Popular, Michael Santos dos Santos e Flávio Feliciano dos Santos pediram apoio dos vereadores e vereadoras para que o laboratório de análises clinicas lá existente não venha a ser transferido para o Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas (HMIPV), conforme anunciado pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

Flávio destacou ao plenário ser servidor púbico com atuação no laboratório há 19 anos e lembrou que em 2011 já houve uma tentativa de se terminar com os serviços lá prestados, tendo sido transferido para o laboratório da Faculdade de Farmácia da Ufrgs. “Em 2015 foi constatado o equívoco dessa política, e o laboratório do Postão foi reativado”, afirmou. Ele lembrou ainda que o local realiza exames de emergência para os atendimentos feitos no Pronto Atendimento, bem como é o único local da prefeitura para exames de DSTs, Aids e tuberculose.

“Acreditamos que fechar e transferir esses serviços para o HMIPV é um retrocesso”, salientou ainda Flávio ao explicar que, com a proposta, a Secretaria Municipal de Saúde pretende que no local sejam feitas apenas coletas de material para a realização dos exames. “Isso já aconteceu na Bom Jesus, que hoje está desassistida em exames”. O servidor disse ainda que também já foi solicitada reunião com a SMS, mas sem êxito. “Não podemos permitir que o futuro do laboratório seja prejudicado sem um debate com os usuários e servidores”, completou.

Ao lamentar situações de violência e vulnerabilidade vividas por moradores na Cruzeiro do Sul, Michael Santos destacou a necessidade de manutenção do laboratório como serviço de apoio a atendimento da população. “Todos sabem que o Postão da Cruzeiro é o local do “já tinha”, já tinha especialistas de todas áreas, já tinha medicamentos, já tinha dignidade para trabalhadores e quem procura atendimento”, criticou ainda Michael. “Não podemos abrir mão, temos que começar por esta Casa essa luta que é de todos, da comunidade”.

Vereadores

Os parlamentares da Câmara Municipal manifestaram apoio às demandas apontadas pela comunidade:

MOVIMENTO - Adeli Sell (PT) garantiu que o movimento em prol da continuidade do laboratório envolve várias bancadas da Câmara e solicitou que as notas taquigráficas da sessão sejam enviadas ao secretário municipal da Saúde, Erno Harzheim. “Algumas reestruturações devem ser feitas, mas nem tudo pode mudar”, ponderou. Adeli sugeriu a criação de um movimento que defenda a centralização de atendimentos no PAM 3. “A necessidade atual é de ampliar e qualificar o serviço do laboratório”, afirmou. O parlamentar também enfatizou que o prefeito municipal deve estar “aberto ao diálogo”. (PE)

PROMESSAS - André Carús (PMDB) disse que já visitou o Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul quatro vezes neste ano para verificar as condições de trabalho e de atendimento. “As prioridades apresentadas durante o processo eleitoral viraram supérfluas”, declarou. Segundo o vereador, o governo municipal “esqueceu” as promessas de campanha. “O povo não aguenta mais pagar a conta dessa crise ética e politica”, afirmou. Para o parlamentar, o investimento em áreas prioritárias não está acontecendo. “Apelo para o bom senso do competente secretário Erno (Harzheim, da Saúde), que é uma pessoa aberta ao diálogo”, completou o vereador. (PE)

FORTALECIMENTO - Aldacir Oliboni (PT) afirmou que o governo atual “não apresentou nada de novo” para a saúde. “O ministro da Saúde esteve em Porto Alegre e anunciou recursos recentemente”, lembrou. O vereador também defendeu o fortalecimento do PAM 3. “Querem tirar o laboratório, que é referência para a cidade, e levar para o Hospital Presidente Vargas, cuja privatização já foi anunciada”, disse ele. Oliboni criticou ainda a possibilidade de redução do atendimento em saúde. “Afinal de contas, o poder público vai entregar tudo para a iniciativa privada ou vai fazer gestão com os recursos dos impostos que pagamos?”, questionou. (PE) 

MOBILIZAÇÃO - Roberto Robaina (PSOL) parabenizou a comunidade pela mobilização e a classificou como “fundamental na luta por conquistas e na defesa de direitos”. “Os direitos estão sendo sistematicamente atacados, e a presença da comunidade na Câmara pressupõe uma organização consciente”, afirmou. Segundo Robaina, só é possível obter vitórias através do acúmulo de forças. “O governo diz que prioriza a saúde, mas ataca um direito básico”, reclamou. Por fim, ele pregou o empoderamento do Legislativo frente ao Executivo.  “A Câmara não pode servir apenas para homologar o que o prefeito Marchezan quer fazer”, completou. (PE)

FORTALECIMENTO II -Moisés Maluco do Bem (PSDB) foi à tribuna para falar da necessidade de debates esclarecedores sobre o tema. Ao destacar um problema de vigilância sanitária no local, o vereador afirmou que já está sendo combatido com uma força-tarefa da Secretaria Municipal da Saúde. De acordo com ele, o secretário da SMS deixou claro que, se o laboratório do hospital for ampliado, o atendimento pode chegar a outras comunidades. “Há um programa de fortalecimento de um grande laboratório que será sediado neste hospital”.  (MF) 

EXAMES - Acreditando ser um importante tema da saúde pública municipal, Dr. Thiago Duarte (DEM) disse que há 20 anos aprendeu que “o que não existe na comunidade, não existe no mundo”. Para o vereador, se o laboratório for retirado da Cruzeiro será um grande equívoco da gestão municipal, pois a população ficará privada de realizar no local os exames médicos solicitados. A retirada da segunda passagem gratuita do transporte coletivo é um outro fator prejudicial, de acordo com Dr. Thiago. “O cidadão não vai conseguir se deslocar e não podemos tolerar a retirada de serviços.” O democrata ainda afirmou que é preciso dar melhores condições aos serviços de atendimento de saúde para que continuem sendo executados no Pronto Atendimento Cruzeiros do Sul. (MF)

Textos: Helio Panzenhagen (reg. prof. 7154)
            Paulo Egídio (estagiário de Jornalismo)
           Munique Freitas (estagiária de Jornalismo)
Edição: Carlos Scomazzon (reg. 7400))