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Cosmam discute combate ao câncer de mama

Comissão discute as políticas públicas voltadas para o Outubro Rosa na Capital. Na foto, com a fala, o o Dr. José Luiz representando a CREMERS.
Outubro Rosa foi o tema da reunião da Cosmam(Foto: Leonardo Cardoso/CMPA)

O Outubro Rosa, a prevenção ao Câncer de Mama e a realidade das políticas públicas voltadas a este assunto na cidade foram os temas discutidos pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) da Câmara Municipal de Porto Alegre realizada na manhã desta terça-feira (8/10). Mastologista do Hospital Fêmina, Juliane Dal Vesco informou que somente em 2019 já foram realizadas aproximadamente 400 cirurgias. “Estatísticas apontam que a Capital ainda deverá diagnosticar 900 casos”, alertou. 

Mastologista e conselheiro do Cremers,  José Luiz Pedrini afirma que, por força de legislação, desde 1999 nenhuma paciente precisa sair do bloco cirúrgico sem mama, e a reconstrução tem que ser imediata. “Nosso conceito é tratar mulheres, tanto que neste ano nossa camiseta traz os dizeres 'mulher consciente'. As mulheres precisam saber dos seus direitos”, destacou. O especialista salientou ainda que o tratamento que cura o câncer de mama é o atendimento para retirar o tumor. “Mas há situações próximas a nós em que o tempo é o fator determinante da vida. Em São Leopoldo, por exemplo, leva-se quase um ano para operar câncer de mama”, lamentou. 

A preocupação em relação aos casos que são diagnosticados tardiamente foram destacados por Michela Marczyk, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia. “Quanto menos informação, maior é a mortalidade das pacientes. Tumores menores de dois centímetros tem 95% de cura. Por isso, é importante que as mulheres saibam dos seus direitos, assim como os governos devem trabalhar para expandir a comunicação sobre o tema, pois quanto menos prevenção mais dispendioso será para o sistema público de saúde o tratamento”, esclarece.

Michela salienta ainda que o câncer de mama tem acometido mulheres cada vez mais jovens. “Cerca de 25% das pacientes apresentam tumor mais cedo, com 28 ou 35 anos. Em contraponto, hoje temos mais idosos, pessoas vivendo mais tempo e mulheres que, mesmo acima dos 69 anos, podem continuar fazendo os exames”, afirmou. A médica disse ainda que os mastologistas estão se formando cada vez mais capacitados para reconstrução da mama e que o Hospital de Clínicas, Fêmina e Santa Sasa são alguns dos locais que oferecem pelo estado e município reconstrução da mama. “Penso que devemos trabalhar para disponibilizar às mulheres mais consultas e mais núcleos de especialidade, descentralizando na sociedade o cuidado da oncologia”, concluiu.

Acolhimento 

O cuidado individualizado ao paciente foi destacado por Clarisse Martins, representante do Grupo Oncoclinicas. “Realizamos atendimentos particulares, mas penso que também o poder público deve pensar a forma como acolhe essa paciente, tendo equipes multidisciplinares e oferecendo estrutura psicológica, emocional e social, pois muitas vezes elas descobrem a doença em momentos de muita fragilidade”, afirmou.

Voluntária do Projeto Cura, organização sem fins lucrativos que visa desenvolver e coordenar estudos acadêmicos e pesquisas clinicas na América Latina para a cura do câncer, a médica Fernanda Schuwyter lembra que, a cada ano, mais de 8 milhões de pessoas perdem a vida por conta do câncer e, segundo ela, a pesquisa é uma das maneiras de conter o avanço da doença. “Na América Latina, para cada um milhão de pessoas, só há dois centros de pesquisa. Sabemos que estudos sobre esse tema são caros, por isso todos precisam contribuir, já que a mulher que está no Brasil pode ter fatores desencadeantes distintos de mulheres que estão nos Estados Unidos ou na Ásia, por exemplo”, afirmou.

Atendimentos gratuitos aos pacientes é o que oferece o Projeto Camaleão, como aula de yoga, oficina de lenços e blitz da saúde. De acordo com a presidente, Flávia de Oliveira, não é somente o câncer de mama que preocupa. “Em 2017 lançamos a campanha Abril Branco para alertar e conscientizar as pessoas sobre outros tipos de câncer. Neste ano já fizemos quase 500 atendimentos, e a doença tem crescido em Porto Alegre. Poderíamos começar a trabalhar para tentar reduzir os índices”, disse, ressaltando que o diagnóstico não é uma sentença de morte.

Executivo

Tatiana Breyer, coordenadora adjunta de atenção hospitalar da Secretaria Municipal de Saúde, afirmou que Porto Alegre trabalha junto com o estado para fazer os enfrentamentos ao câncer. “Nosso banco de dados nos diz que o câncer de mama chega a 49% das mulheres. Sabemos também que os sintomas aparecem de maneira confusa para as pacientes, por isso é necessário buscar assistência quando a mulher sente que algo não está legal”, alertou.

A servidora disse ainda que o município dá o prazo de 15 a 20 dias para marcação da consulta. “Nossa ideia é ter uma plataforma única para centralizarmos todas as informações, o paciente no centro de todas as nossas decisões. Por isso, precisamos otimizar atendimentos através de tecnologia”, afirmou, informando também que conversou com a presidência do Legislativo para a criação de comitê permanente na Câmara apara compartilhamento de demandas e informações. 

Encaminhamentos 

O vereador Aldacir Oliboni (PT) disse que vê o Outubro Rosa como um momento de reflexão. “É preciso aumentar o acesso para as mulheres fazerem mamografia, pois há questões que não pode haver limitadores. Além de políticas de prevenção. A sociedade tem que se rebelar”, enfatizou.

A criação de uma Frente Parlamentar ou Grupo de Trabalho para combate ao câncer de maneira permanente na Câmara foi a sugestão dada pelo vereador Delegado Cleiton (PDT). “O acesso à informação para as as pessoas da periferia seria uma das ações”, apontou. O vereador José Freitas, que preside a comissão acolheu a sugestão do colega e disse que via Cosmam será enviado um oficio para a criação desse grupo, que deverá ir ao encontro da formatação que já está sendo tratada junto à presidência da Casa. “Há necessidade de integração entre Legislativo e Executivo e, desta maneira, vamos conseguir construir juntos”, avaliou.

A vereadora Claudia Araújo, que propôs a discussão deste tema na comissão, disse que já havia falado com a presidente Mônica Leal sobre a Frente Parlamentar de Combate ao Câncer e que deve buscar mais informações nesta semana. “Não importa se é privado ou público, o importante é que lidamos com mulheres que precisam ser cuidadas e tratadas”, finalizou, informando que no dia 31 de outubro a Câmara fará o encerramento do Outubro Rosa em Plenário.

Texto

Lisie Bastos Venegas (reg. prof. 13688)

Edição

Carlos Scomazzon (reg. prof. 7400)

Tópicos:câncer de mamaOutubro Rosa