- Atualizada em 16/05/2018 09:07

Legislativo presta homenagem aos 70 anos de Israel

  • Sessão Solene em Homenagem aos 70 anos da Criação do Estado de Israel.
    Cerimônia ocorreu hoje à tarde no Plenário Otávio Rocha(Foto: Andielli Silveira/CMPA)
  • Sessão Solene em Homenagem aos 70 anos da Criação do Estado de Israel.
    Comunidade judaica prestigiou a sessão(Foto: Andielli Silveira/CMPA)

A Câmara Municipal de Porto Alegre realizou, no final da tarde desta terça-feira (15/5), sessão solene destinada a homenagear a passagem dos 70 anos de criação do Estado de Israel e à abertura da exposição “Jerusalém e a Cidade da Fé”. Na presença de Orni Ringer, vice-cônsul geral deste país, fundado no Oriente Médio em 14 de maio de 1948, o proponente da atividade, vereador e atual presidente do Legislativo da capital gaúcha, Valter Nagelstein (PMDB), saudou a posição firme do gaúcho Osvaldo Aranha, que presidiu a sessão da ONU, “oportunidade em que foi aprovada a partilha da então colônia inglesa em dois estados, um judeu e outro árabe, que deveriam viver em harmonia, mas por opção, não do povo judeu, deu início a guerras e conflitos que se estendem até os dias de hoje”, salientou.  

Ainda em sua manifestação, Nagelstein lembrou que existem elementos arqueológicos, científicos e históricos, por escrituras sagradas, que apontam a presença do povo judeu no território há mais de 4 mil anos. “Há um cemitério que data desse período no pé do monte das oliveiras”, disse o parlamentar aos presentes. Também a criação de Israel foi uma atitude de justiça “para com um povo que foi segregado da sua pátria, perseguido e levado à diáspora”.

Na sessão presidida pela vereadora Mônica Leal (PP), Nagelstein referiu que os pioneiros da comunidade judaica no Estado e de Porto Alegre, diferentemente das demais nacionalidades que colonizaram o Rio Grande, vieram para cá para fugir da perseguição dos pogroms do leste europeu e, mais tarde, do nazismo. “E aqui, assim como fazem os que buscaram o retorno à terra prometida, contribuem nas mais diversas áreas, desde a medicina, tecnologia de informação, agricultura, segurança e outras. “Os judeus viveram por muito tempo sem pátria, unidos pela Torá e pelo sonho de com ela retornar a sua terra ancestral”, declarou.

Para um plenário lotado por diversas lideranças judaicas, o peemedebista destacou também que a comunidade local, apesar de pequena numericamente, precisa ter consciência da sua grande importância e papel no contexto político, elegendo seus representantes para os mais diversos cargos, pois quando há o enfraquecimento ou ausência dessas representações existe o risco de novas perseguições.

O vice-cônsul de Israel em São Paulo, Orni Ringer, agradeceu a celebração do Ion Haatmaut (Dia da Independência), assim como a iniciativa conjunta da Câmara Municipal e da Federação Israelita do Rio Grande do Sul, de trazer para Porto Alegre a exposição “Jerusalém – A cidade da fé”, que, segundo ele, foi “elaborada com muito carinho para mostrar a coexistência na capital de Israel, berço das três principais religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo. Afirmou que Israel é um pais diversificado e multicultural que acolhe em sua sociedade árabes, cristãos, religiosos e seculares, sendo a “única democracia no Oriente Médio”.

Ringer relembrou a noite de 14 de maio de 1948, 70 anos atrás, quando David Bem-Gurion, “contra as mais diversas adversidades, bravamente, declarou a independência de Israel, data em que foi lida a carta onde estão contidos os valores até hoje seguidos no país”. Ressaltou que 70 anos é pouco tempo, se comparado aos milhares de anos que o povo judeu esperou para ter o seu país, mas que são visíveis os avanços nesse pequeno espaço de tempo. “O mundo está impressionado com isso. Somos um país moderno e tecnológico. Não é por acaso que somos conhecidos como a startup nation, com uma das economias mais prósperas”, salientou.

O vice-cônsul destacou que o Rio Grande do Sul e o Brasil têm a ganhar a partir das relações comerciais, que se ampliam cada vez mais. “Temos feito um intenso trabalho, junto à nossa Missão Econômica, para expandir os negócios e gerar frutos para ambas as nações”, afirmou Ringer. Falou do reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel pelos Estados Unidos e finalizou convidando os porto-alegrenses a assistir, no dia 23 de maio, ao filme “Familia”, protagonizado pelo ator israelense Aryel Hasfari, que estará na capital gaúcha por ocasião do Festival de Cinema FantasPOA, “o maior evento do gênero fantástico da América Latina”.

Em nome da Federação Israelita do Rio Grande do Sul, o presidente da entidade, Zalmir Chwartzmann, exaltou o mérito dos pioneiros do pensamento sionista, que, na sua origem, no final do século XIX, trouxeram a ideia da nova pátria. Também registrou o carinho dos vereadores para com a comunidade judaica de Porto Alegre, que reconhecem o trabalho realizado e a contribuição dedicada dos judeus para a cidade, o Estado e o país. Citou, por fim, as tristezas das circunstâncias do momento e afirmou que a comunidade judaica do Rio Grande do Sul não deseja amplificar o conflito do Oriente Médio. “Não devemos importar esse conflito para a nossa comunidade local. Aqui, queremos viver e conviver em paz, respeitosamente”, disse.

Participaram da Sessão Solene os vereadores Airto Ferronato (PSB), Felipe Camozzato (Novo), Mauro Zacher (PDT) e Reginaldo Pujol (DEM), que se manifestaram em apartes durante a fala de Nagelstein. Compuseram a mesa, além de Mônica Leal, do vice-cônsul de Israel e do presidente da Firs, o secretário extraordinário do governo gaúcho, Idenir Cecchim, representando o governador José Ivo Sartori; o coronel Jefferson de Barros Jaques, representando o comando geral da Brigada Militar; e os rabinos Daniel Presman, Guerson Kwasnieswki e Mendel Liberow. A sessão foi precedida pela execução dos hinos de Israel e do Brasil e finalizada com o hino Rio-Grandense, interpretado pelo coral Zemer da Na’Amat Pioneiras, sob a regência do maestro André Munari.

Texto: Milton Gerson (reg. prof. 6539)
Edição: Marco Aurélio Marocco (reg. prof. 6062)