Beco X convive com ratos, esgoto, falta de luz e água
A situação da comunidade do Beco X é dramática. Ela está invisível para a cidade, mesmo sendo vizinha da Arena do Grêmio. A afirmação é da presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, vereadora Sofia Cavedon (PT), durante visita hoje (7/7) do Câmara na Comunidade. O Beco X, que vai do número 5472 da avenida Voluntários da Pátria até o número 477 da rua Frederico Mentz, fica no bairro Humaitá e abriga 354 famílias em condições precárias.
Os moradores, que sobrevivem da coleta de lixo, correm o risco de perder moradia, porque o terreno onde vivem é irregular. Ele pertence à Metalúrgica Sul Inox, que faliu, e está com dívidas. São tributos federais. Já houve tentativas de leilão, mas sem sucesso, informa o advogado da Associação dos Moradores do Beco X (AMOEX), Jacob Licks. Agora, segundo ele, há um comprador interessado, mas é preciso que a Prefeitura de Porto Alegre desaproprie a área. E para onde vão essas famílias?, questiona o tesoureiro da AMOEX, Epaminondas Santos, diante do impasse.
A falta de luz e água são problemas gritantes da comunidade. Segundo o presidente da AMOEX, Carlos Alberto Garcia, não há água encanada e a luz que existe é graças aos gatos (instalações clandestinas). E assim mesmo ainda chega a faltar luz dois dias seguidos. A dona de casa Alessandra Abdala, mãe de duas filhas, tem que esquentar água de balde para poder dar banho nas meninas, de 6 e 3 anos. Não sobe água para o chuveiro, é uma tristeza.
Esgoto a céu aberto também é uma reclamação da comunidade. E quando chove, a situação fica pior, comenta Garcia. A sujeira é tanta, que a população convive diariamente com ratos do tamanho de gatos. É o que conta a dona de casa Alexandra dos Santos, mãe de 4 filhos: a gente não tem sossego, tem que ficar de olho aberto pra não deixar os ratos pegarem nossos filhos. Os ratos avançam na gente. Eu tenho um bebê de um mês e não posso descuidar dele, senão os ratos podem mordê-lo. Várias crianças já foram mordidas aqui, fala aflita. Além disso, segundo Alexandra, os ratos também roem as comidas e contaminam tudo.
Moradores elogiaram a iniciativa da Câmara. Disseram ser a primeira vez que a instituição vai ver de perto os problemas das comunidades. Segundo Sofia Cavedon, as reivindicações do Beco X, junto com as demais comunidades do bairro Humaitá (Vilas Liberdade e Santo André, especialmente), serão reunidas em um dossiê e levadas ao Ministério Público e a cada secretaria municipal. Precisamos achar soluções a curto prazo para melhorar as condições de vida dessas pessoas, concluiu.
O vereador Carlos Todeschini (PT), que também acompanhou a visita, enfatiza que durante a caminhada foi constatada a obstrução total da galeria canal/sul, problema que gera o alagamento das moradias. A comunidade relata que nos dias de chuva a água chega a subir 1.5m e invade as casas. Em algumas ocasiões, as pessoas tiveram que ser retiradas com o auxilio da Defesa Civil. Aqui deve ser feita a avaliação e limpeza das tubulações. É fundamental o serviço de drenagem, aponta Todeschini defendendo que a Prefeitura deve garantir a habitação dos moradores e, assim, resolver o problema funciário do Beco X. "Seja adquirindo ou desapropiando a área o executivo deve demonstrar o seu papel social", destacou.
A visita contou com a presença de representantes da FASC, DMLU e SMAM.
O Câmara na Comunidade é um projeto da Casa Legislativa da Capital, implantado este ano, que leva vereadores e órgãos da prefeitura a comunidades com o objetivo de identificar as reclamações dos moradores e encaminhar soluções junto aos órgãos competentes.
Darlene Silveira (reg. prof. 6478)
Assessoria de Imprensa da Presidência