PRESIDÊNCIA

Trecho da orla do Guaíba é batizado de Moacyr Scliar

Nagelstein promulgou a Lei 12.402/18, em ato no Atracadouro de Turismo Náutico, com a presença de familiares do escritor

  • Ato Solene com a finalidade de promulgar a lei 12.402/18 que denomina a Orla Moacyr Scliar.Com a presença  de Familiares e do Presidente Valter.
    Valter Nagelstein (e) propôs a homenagem(Foto: Tonico Alvares/CMPA)
  • Ato Solene com a finalidade de promulgar a lei 12.402/18 que denomina a Orla Moacyr Scliar.Com a presença  de Familiares e do Presidente Valter.
    Trecho da orla ganha nome do médico e escritor porto-alegrense(Foto: Tonico Alvares/CMPA)

Em ato na manhã desta quinta-feira (7/6), no Atracadouro de Turismo Náutico, o trecho da orla do Guaíba entre a Usina do Gasômetro e o Anfiteatro Pôr-do-Sol foi batizado de Orla Moacyr Scliar, em homenagem ao médico e escritor porto-alegrense. O presidente da Câmara Municipal, vereador Valter Nagelstein (MDB), autor da iniciativa, promulgou a Lei 12.402, de 23 de abril de 2018, aprovada pelo Legislativo. 

Ao entregar à viúva Judith Scliar um protótipo da placa que será instalada, Nagelstein destacou que “nosso médico e escritor notável agora empresta seu nome, para sempre, à cidade que ele amou”. “Tolstoi disse que quem pinta as cores de sua aldeia pinta o mundo e Scliar fez isso. Ele imortalizou Porto Alegre, falando do Bom Fim, e o povo judaico. Assim, nada mais justo que o nosso imortal da Academia Brasileira de Letras seja também imortalizado em Porto Alegre, neste espaço de deleite, convivência e prazer.”

Judith afirmou ser uma honra ter o trecho da orla com o nome de Scliar, local que ele também costumava frequentar, além do Bom Fim. “Recebemos esta homenagem com muita alegria e acho que ele ficaria muito feliz, porque ele sempre foi apaixonado por Porto Alegre”, destacou.

Também participaram do ato o presidente da Federação Israelita, Zalmir Chwartzmann, e familiares de Scliar: Marli Scliar (irmã), Miguel Oliven (cunhado) e Jacobo Buchalter (cunhado).

Biografia

Moacyr Jaime Scliar nasceu em Porto Alegre, em 23 de março de 1937. Seus pais, José e Sara Scliar, eram judeus e migraram para o Brasil, se instalando no bairro Bom Fim, em Porto Alegre, onde Scliar passou a maior parte de sua infância. Foi alfabetizado pela mãe, que era professora primária, e mais tarde, em 1943, começou a cursar a Escola de Educação e Cultura, conhecida como Colégio Lídiche. Em 1948, transferiu-se para o Colégio Marista Rosário, onde concluiu o ensino médio.

Em 1962, publicou o primeiro livro e, em 1963, após se formar em medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, especializou-se no campo da saúde pública como médico sanitarista. Em 1970, frequentou curso de pós-graduação em medicina em Israel. Posteriormente, tornou-se doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública. Foi professor da disciplina de medicina e comunidade do curso de medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Ganhador de prêmios literários como o Jabuti (1988, 1993 e 2009), o Associação Paulista de Críticos de Arte (1989) e o Casa de las Américas (1989), Scliar foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 2003, onde ocupou a cadeira de nº 31. Suas obras, traduzidas para 12 idiomas, frequentemente abordavam a imigração judaica no Brasil, o socialismo, a medicina e a vida de classe média, além de Porto Alegre. Entre seus livros, dois foram adaptados para o cinema: “Sonhos Tropicais” e “Um Sonho no Caroço do Abacate".

O médico e escritor porto-alegrense faleceu em 27 de fevereiro de 2011, por falência múltipla de órgãos. Deixou a esposa Judith, o filho Roberto, nascido em 1979, e um legado de mais de 80 livros.

Texto: Cibele Carneiro (reg. prof. 11.977)
Edição: Marco Aurélio Marocco (reg. prof. 6062)